Costumava-se acreditar que conhecer o nome de alguma coisa significava ter poder sobre ela. Vemos isso na Bíblia quando Deus leva um representante de cada espécie animal perante a Adão para que este lhe dê um nome e assim estabeleça seu domínio sobre a natureza.
Nomear é também definir - impor limites. É seccionar a realidade em fragmentos que podemos submeter ao nosso entendimento. Isto é necessário pois não somos capazes de apreender o real como um todo e também porque possibilita que nos comuniquemos uns com os outros.
Por outro lado, ao dar nome a uma certa coisa estamos também aprisionando-a numa gaiola de idéias e conceitos, embrulhando-a num pacote personalizado o qual podemos dar de presente, colocar como um enfeite nas prateleiras de nosso ego ou - o que está mais em moda hoje em dia - simplesmente vender.
Entretanto, este processo de divisão, categorização e armazenamento ocorre apenas em nossas mentes. Mas estamos tão acostumados a ele que já não conseguimos enxergar os elos que conectam as peças deste quebra-cabeça mental. Vemos cada uma destas entidades mentais como objetos reais e independentes. No entanto, para além dos limites da nossa percepção, a realidade permanece como sempre foi: una e indivisível.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Realidade
Assinar:
Postar comentários (Atom)




0 comentários:
Postar um comentário