Dois verbos, dois modos de ver o mundo.
"Ter" envolve o acúmulo de bens, a busca pela tranquilidade material. Logo, volta-se para objetos exteriores a nós. Semanticamente, dá a idéia de que a posse - o ato de ter - é transitória, em algum momento perderemos aquilo que possuímos. Esta palavra passa também uma sensação de que o objeto é mantido sob nossa posse mediante esforço, cuja suspensão poderia implicar na perda da coisa possuída.
Já o verbo "ser" relaciona-se a uma realidade que nos é interna, que de algum modo se confunde com nossa própria identidade. Refere-se a uma condição persistente que se mantém de maneira indefinida ao longo do tempo.
Materialistas como somos, elegemos o verbo "ter" como a mais importante palavra de nosso vocabulário. Hoje, somos o que temos. Lutamos para construir uma felicidade feita de coisas as quais empilhamos a nossa volta, como uma muralha para nos proteger contra todo o desconforto e sofrimento.
No entanto, há nessa estratégia uma pequena falha: tais aflições nem sempre vêm de fora, freqüentemente elas surgem de dentro de nós mesmos.
"Ser" deveria ter mais importância para nós. Ao invés de sermos o que temos deveríamos ter o que somos. E isso envolve construir uma felicidade genuína e orgânica, que se faz de dentro para fora.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
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