quinta-feira, 22 de maio de 2008

Medo

Eu tinha o mesmo sonho frequentemente. Bem, não era exatamente o mesmo todas as vezes, havia algumas variações. Mas o tema principal não mudava: eu estava em minha casa, quando me dava conta que alguém tentava invadi-la. Queria gritar em busca de socorro, mas embora fizesse um esforço tremendo minha voz simplesmente não saía. A sensação de impotência e aflição perdurava até eu que eu despertasse sobressaltado e no entanto aliviado.

Um dia tive uma idéia. Ao me deitar comecei a repetir para mim mesmo "eu vou enfrentar, eu vou enfrentar..." e adormeci com essa decisão na cabeça. O sonho veio novamente, em uma outra forma mas era o mesmo sonho. Era alta noite e homens estranhos estavam sobre o muro de minha residência e eu sabia que eram ladrões. Mas agora já não permaneci encurralado dentro de casa. Destranquei a porta e fui verificar pessoalmente o que aqueles caras queriam empoleirados daquele modo em meu muro. Foi aií que algo aconteceu, o enredo do sonho se transmutou, a noite já não era mais tão escura e ameaçadora e as pessoas sobre o muro já não eram ladrões perigosos e sim amigos meus a minha procura (método estranho para fazê-lo, bater ao portão teria sido mais eficaz, mas vá lá, sonho é sonho).

A experiência me ensinou que em nossos sonhos, ainda que não o percebamos, temos controle total sobre o fluxo da história que se desdobra a nossa volta. Para a vida desperta ficou outra lição, não devermos nos esconder dos nossos medos mas sim encará-los de frente. Não que isso vá fazer a causa de nossos temores se esvair de repente em fumaça, mas fará com que conheçamos a real dimensão ameça - se existir de fato. O medo poder útil para nos preservar, mas costuma fazer nossos demônios pareçam mais assustadores do que são de fato.

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